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Teresópolis avança na construção de sua nova agenda de inovação

Teresópolis avança na construção de sua nova agenda de inovação

Em um encontro marcado pelo diálogo entre empresas, instituições de tecnologia, poder público e representantes do ecossistema local de inovação, Teresópolis deu mais um passo importante na consolidação de uma agenda estratégica para o seu desenvolvimento tecnológico.

O evento reuniu empresários de TI da cidade, a presidência do Conselho Municipal de Inovação, representantes da Subsecretaria de Ciência e Tecnologia, integrantes do Serratec — Parque Tecnológico da Região Serrana do Rio de Janeiro —, representantes do TI Rio e membros do Inova Teresa, ecossistema local dedicado a articular iniciativas de inovação, empreendedorismo e transformação produtiva no município.

Mais do que um encontro institucional, a reunião evidenciou um ponto central: Teresópolis possui ativos relevantes para se tornar uma referência regional em inovação, mas precisa fortalecer seus instrumentos de articulação, governança e contratação para transformar potencial em resultado concreto.

Serratec e a força da articulação regional

Após a recepção inicial com coffee break, o Serratec apresentou aos participantes os motivos pelos quais empresas da região devem considerar sua associação ao parque tecnológico.

Um dos pontos destacados foi a possibilidade de associação gratuita, permitindo que empresas de tecnologia se aproximem formalmente de uma estrutura regional de apoio, conexão e representatividade. Essa adesão não se limita a um gesto simbólico. Ao carregar a chancela do Serratec, empresas locais passam a integrar uma rede mais robusta, capaz de fortalecer pleitos coletivos, facilitar interlocuções institucionais e ampliar a capacidade de acesso a oportunidades de financiamento.

Daniel Franco - Serratec
Daniel Franco - Serratec

Nesse contexto, foi ressaltada a importância de iniciativas conjuntas para disputar recursos em instituições como a FINEP e outros mecanismos de fomento à inovação. Em vez de empresas atuando isoladamente, a articulação em rede aumenta a densidade institucional do setor e oferece maior legitimidade para projetos coletivos.

Para Teresópolis, esse movimento é especialmente relevante. A cidade conta com empresas, talentos e demandas reais de transformação tecnológica. O desafio está em organizar esses elementos em torno de uma estratégia comum.

O mapeamento do TI Rio e a importância dos dados públicos

Outro momento importante do encontro foi a apresentação conduzida por Alberto Blois, presidente do TI Rio, sobre o mapeamento realizado pela entidade.

O levantamento foi apresentado como uma ferramenta fundamental para compreender melhor o cenário de tecnologia no município e na região. Ao mapear empresas, capacidades, demandas e vocações do setor, Teresópolis passa a contar com dados mais consistentes para orientar políticas públicas, decisões empresariais e ações de desenvolvimento econômico.

Alberto Blois - Presidente do TI RIO
Alberto Blois - Presidente do TI RIO

A presença de grandes empresas de tecnologia no município, como a Alterdata, também foi lembrada como evidência de que Teresópolis já possui uma base relevante nesse setor. Esse dado reforça a necessidade de tratar tecnologia e inovação não como temas periféricos, mas como vetores centrais para o futuro econômico da cidade.

O mapeamento, por ser um dado público, pode ser utilizado pela sociedade, pelo poder público, por entidades representativas e por empreendedores. Ele permite que o debate sobre inovação deixe de ser apenas intuitivo e passe a ser sustentado por informações concretas.

Também foi destacada a importância da participação das empresas na pesquisa de RH conduzida pelo setor. Esse tipo de levantamento ajuda a compreender gargalos de contratação, perfis profissionais mais demandados, lacunas de formação e necessidades reais das empresas locais. Para uma cidade que deseja fortalecer seu ecossistema de inovação, conhecer sua base de talentos é tão importante quanto atrair novos investimentos.

A Lei Municipal de Inovação e a necessidade de atualização

Um dos temas mais relevantes do encontro foi apresentado pela Subsecretaria de Ciência e Tecnologia de Teresópolis: a revogação da atual Lei Municipal de Inovação, criada em 2019, e a construção de uma nova legislação mais adequada às necessidades atuais do município.

A explicação foi direta: a lei vigente contém falhas que dificultam sua aplicação prática. Na forma atual, ela não oferece os instrumentos necessários para que a Prefeitura consiga contratar serviços, apoiar soluções locais ou transformar iniciativas de inovação em políticas efetivas.

Anderson Duarte - Subsecretário de Ciência e Tecnologia
Anderson Duarte - Subsecretário de Ciência e Tecnologia

Esse ponto é decisivo. Uma lei de inovação não pode ser apenas uma declaração de intenções. Ela precisa funcionar como ferramenta jurídica, administrativa e estratégica. Precisa permitir que o município dialogue com startups, empresas, instituições de pesquisa, universidades, parques tecnológicos e ecossistemas locais de maneira segura e eficiente.

A revogação da lei atual, portanto, não representa um abandono da agenda de inovação. Pelo contrário: representa a tentativa de substituí-la por um marco legal mais moderno, mais aplicável e mais conectado à realidade de Teresópolis.

Segundo apresentado no encontro, já existe uma nova proposta em tramitação para votação. A expectativa é que o novo texto permita incluir formalmente o Inova Teresa dentro da política municipal de inovação, além de criar condições para que a Prefeitura possa contratar empresas locais e apoiar soluções desenvolvidas dentro do próprio território.

O caso do Agro Inova Summit e o desafio de contratar soluções locais

Durante a discussão sobre a legislação, foi citado o exemplo do Agro Inova Summit, hackathon realizado em Teresópolis com patrocínio do TI Rio.

A iniciativa gerou startups voltadas para resolver problemas reais do setor agropecuário local. Ou seja, o município conseguiu mobilizar talentos, identificar desafios concretos e estimular a criação de soluções tecnológicas alinhadas à vocação produtiva da região.

No entanto, surgiu um obstáculo: mesmo com soluções promissoras nascidas a partir do próprio ecossistema local, o poder público não consegue contratá-las com base na legislação atual. O instrumento jurídico vigente não oferece os meios adequados para transformar essas soluções em serviços efetivamente adotados pelo município.

Esse exemplo ilustra com clareza o problema. Teresópolis já consegue gerar inovação. O que falta é criar as condições institucionais para absorver, contratar, escalar e aplicar essa inovação em benefício da cidade.

Sem esse elo, boas ideias permanecem como projetos isolados. Com uma legislação adequada, elas podem se tornar políticas públicas, serviços, produtos, empregos, receita e desenvolvimento econômico.

Inova Teresa como ponto de convergência

O encontro também reforçou o papel do Inova Teresa como ambiente de articulação entre empresas, instituições, poder público e sociedade.

Ecossistemas de inovação não surgem apenas da existência de boas empresas ou bons profissionais. Eles dependem de coordenação, confiança, continuidade e capacidade de transformar conversas em ações estruturadas.

Nesse sentido, o Inova Teresa ocupa uma posição estratégica. Sua função é aproximar atores que muitas vezes atuam de forma fragmentada, criando pontes entre o setor produtivo, entidades representativas, universidades, governo, startups e iniciativas regionais como o Serratec.

Participantes do Evento
Participantes do Evento

Ao participar desse tipo de encontro, o Inova Teresa reafirma sua missão: contribuir para que Teresópolis deixe de enxergar inovação como algo distante e passe a tratá-la como uma política concreta de desenvolvimento local.

Uma cidade com vocação tecnológica precisa de instrumentos compatíveis

O encontro deixou uma mensagem clara: Teresópolis tem potencial, empresas relevantes, talentos, instituições interessadas e problemas reais que podem ser resolvidos com tecnologia. Mas potencial, sozinho, não basta.

Para avançar, o município precisa de três pilares bem definidos.

  1. O primeiro é articulação. Empresas, entidades e poder público precisam atuar de maneira coordenada, compartilhando dados, oportunidades e prioridades.
  2. O segundo é inteligência institucional. O mapeamento do TI Rio, as pesquisas de RH e os dados públicos sobre o setor são fundamentais para orientar decisões melhores.
  3. O terceiro é segurança jurídica. Uma nova Lei Municipal de Inovação, bem construída, pode permitir que a cidade contrate soluções locais, apoie startups, estimule o empreendedorismo tecnológico e transforme eventos como hackathons em projetos aplicáveis.

Quando esses três elementos se encontram, a inovação deixa de ser discurso e passa a ser infraestrutura de desenvolvimento.

O próximo passo para Teresópolis

A atualização da Lei Municipal de Inovação será um marco importante para o futuro da cidade. Ela poderá definir como Teresópolis vai se relacionar com suas empresas de tecnologia, seus empreendedores, seus pesquisadores e seus ecossistemas de inovação nos próximos anos.

Mais do que corrigir uma lei antiga, trata-se de abrir caminho para uma nova fase: uma Teresópolis capaz de reconhecer o valor das soluções produzidas localmente e de criar mecanismos para que essas soluções beneficiem a própria população.

O encontro mostrou que há disposição para esse avanço. Agora, o desafio é transformar alinhamento institucional em execução.

Teresópolis já possui parte importante dos ingredientes necessários para se posicionar como polo de inovação na Região Serrana. O momento exige maturidade, cooperação e visão de longo prazo.

Porque inovar não é apenas criar tecnologia. É construir as condições para que boas ideias encontrem caminho, escala e impacto real.